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Letras da casa humboldt

Vitral: o memorial do Humboldt - aluna Vitória Azevedo

Texto da aluna Vitória Azevedo, turma 11B, com apresentação da professora Marilu Faricelli.

 

 

Memória!!!

O passado é uma construção e uma reinterpretação constante e tem um futuro que é parte integrante e significativa da história” (Jacques Le Goff).

 

Essencial na escola – devemos nos lembrar de fórmulas, datas, nomes, ações, conceitos, movimentos do corpo e da alma em todas as aulas, em todas as provas.

Fundamental na construção da identidade individual e coletiva.

Vendo fotos da nossa infância, lembramos de pessoas, situações, experiências... Trazemos nosso passado para o presente.

Olhando, vendo, reparando no vitral falamos de nós, comunidade Humboldt.

Vitória construiu um belo texto sobre nossa memória. Não aquela que vai dar boas notas nas provas, mas aquela que nos constitui como “Humboldt”.

Trata-se do Vitral do Colégio Humboldt. O vitral que mostra uma relação entre pai, filho, cultura escolar, conhecimento e produção artística.

Relação sempre presente no cotidiano escolar, soma de experiências passadas e projeções futuras.

O “memorial de Vitória” tem um sentido, vamos tomá-lo como nosso?  

Professora Marilu Faricelli

 

Vitral: o memorial do Humboldt

O Vitral do Colégio Humboldt, hoje localizado no foyer do Teatro e no restaurante do Colégio, está na escola desde a década de 60, já que foi construído originalmente na antiga escola. Todos os alunos que passam por esses lugares conhecem essa obra de arte, mas poucos sabem do que se trata e menos ainda sabem de sua história.

O vitral foi feito pelo senhor Heilmair, um pai da escola, que empregou uma técnica alemã da Idade Média, a qual utilizava chumbo para a composição das peças. Essa técnica era tão rara e esquecida, que pessoas vinham da Alemanha lhe pedir ajuda para consertar objetos com ela confeccionados. O desenho do vitral é obra de seu filho, Lorenz, que, na época, tinha 12 anos, demonstrando não apenas generosidade e talento da família, mas um amor incondicional paterno, aumentando o significado do vitral para a escola.

Os contos retratados, no vitral, são seis ao todo: Frau Holle, Chapeuzinho Vermelho, Die Bremer Stadtmusikanten (Saltimbancos), João e Maria, Bela Adormecida e Branca de Neve. Embora a maioria destes contos seja conhecida e amada por muitas pessoas, grande parte da história original foi distorcida pela mídia, ganhando uma versão mais apelativa para o público atual, mas perdendo a essência que os Irmãos Grimm lhe deram.

Por exemplo, no caso da Chapeuzinho Vermelho, a versão alemã conta que, após devorar a avó, o lobo dorme para digeri-la, e, neste momento, Chapeuzinho conta ao caçador o que aconteceu. Eles vão juntos à casa da avó, e lá o caçador abre a barriga do lobo, retira a avó de dentro, enche a barriga de pedras e vai embora. Após o lobo acordar, ele sente uma grande sede, vai tomar água em um poço, mas, por causa do peso das pedras, ele cai e se afoga. Já na versão atual, Chapeuzinho é devorada pelo lobo, em seguida aparece o caçador, que o mata e retira as vítimas de dentro de sua barriga.

Esses contos retratam o exemplo da mentalidade do povo alemão, já que os contos nos ensinam, desde pequenos, que devemos nos portar de maneira adequada, sendo humildes e corajosos, pois em caso contrário, a Natureza se vingará por não termos seguido suas regras. Contos revelam um povo, principalmente seu jeito de pensar e agir.

Por esses motivos, devemos considerar o vitral como um memorial, pois ele nos recorda contos que moldaram a mente de milhões de pessoas e ainda podem moldar a nossa. Em um Colégio alemão, como o Humboldt, onde pessoas de diferentes nacionalidades convivem umas com as outras, ter algo relembre as profundas raízes alemãs em nossa vida é essencial para o entendimento e apreciação desta importante cultura.

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